Assim se chama o livro de Jerome Vonk, “um dos mais jovens membros da terceira e última invasão Holandesa ao Brasil”. Este livro chama atenção por ser parecido com um diário, então Vonk explica no início do livro que se trata de uma viagem de 80 dias, onde na verdade o mundo é que gira sobre ele e seus personagens durante esse período, relata seus desprazeres e gozos da vida, tudo que o rodeia no dia a dia.
Ele estabelece metas a serem cumpridas durante esse período pré-estabelecido, principalmente a de ter largar o vício de bebidas e cigarros mas, como maior parte das pessoas, joga tudo para o ar, depois reconstrói tudo outra vez, ou se conforma. Percebe-se ao ler o livro que ele é um cara completamente escrachado, mal-humorado, irônico, refinado e livrólatra, inclusive no decorrer da leitura ele dá dicas de autores e livros. Vonk, também deixa claro (e torna essa parte da leitura meio chata) que ele tem um grande complexo com os textos de contracapa quem vem nos livros, ele fica numa indecisão tão grande que acaba deixando o fim do livro cheio de sugestão para o leitor escolher como será ou poderia ser a contracapa.
Não tem quem leia o livro e diga que não se identifica com alguma das máximas de Vonk. Ele simplesmente consegue escrever de acordo com a velocidade de seus pensamentos, por isso deixa escapar homéricos palavrões. Mostra-se totalmente abalado com o fato de esquecer algumas coisas que deixa para escrever depois, por falta de caneta e papel em mãos, quando não é trolado pelo editor de texto do seu computador... As ilustrações do livro brincam com o conteúdo (acreditem, paguei um mico com relação a isso: tentei apagar com uma borracha uma simulação de risco em cima do texto, livro emprestado né, já viu....).
Uma sentença que deixa um quê de fixar-se em pesquisas foi na página 110 quando ele explica que “o tempo” é o Deus dos ateus, aquele que ajuda a digerir o que a vida empurra goela a baixo, uma grande verdade para quem acredita que o tempo cura feridas, mas que na verdade é tudo uma questão de conformar-se.
“Parar de fumar foi muito mais difícil e parar de beber ainda não me trouxe os previstos e desejados benefícios. Esperava no mínimo, o grande barato da sobriedade...” - Jerome Vonk
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Aline Vanessa
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